
Programa de 6ª à noite: rugby match. À inglesa, com neve e vento. Quando fui convidada pareceu-me uma idéia fabulosa. A caminho do jogo, quase a ser levada pelo vento glaciar, comecei a repensar as minhas opções. Mas já era tarde demais para desistir. E valeu a pena. O jogo foi no estádio de Salford, cidadezinha que fica do outro lado do canal. Sale Sharks (locals) vs Bath. Os Sharks estão neste momento na 11º posição da I Liga (ou equivalente, não tenho a certeza do nome). Subiram do 12º lugar depois de uma equipa ter sido punida com a perda de 5 pontos por falsificar informações sobre um jogador. Mas apesar de tudo tem um cult following significativo. O estádio estava cheio. Não há tanto a tradição das camisolas do clube e cachecóis. Aliás, toda a gente está vestida para o inverno nuclear. E fazem bem. Porque estava frio à séria. Uma coisa que descobri rapidamente é que os jogos de rugby são muito mais civilizados que os de futebol. Para começar, vende-se álcool no estádio (o que permitiu que eu bebesse a primeira cerveja devidamente refrigerada desde que aqui estou...). Depois, apesar de haver divisão entre os home e os away supporters, não há problema em ficarem ao lado uns dos outros. Fui ver o jogo com 3 amigos, 1 a favor dos Sharks, os outros dois a torcer por Bath. Como o local tinha season tickets, fomos para o home supporters quarter. E não houve problema nenhum em estarem a gritar por Bath durante o jogo. Além dissso, apesar de toda a gente gritar bastante, não ouvi reparos à mãe do árbitro ou dos jogadores. Claramente, é um jogo de cavalheiros. Apesar de só ter começado a sentir os dedos dos pés quando cheguei a casa, adorei a experiência. Depois do jogo, e de algumas cervejas, veio a fome. Nada como very greasy chinese à meia noite. Vou sentir falta destes open all night grease houses...Sábado gelado. Dois graus, com o vento feels like minus 8. Depois de uma manhã preguiçosa no calor dos lençois, saí para enfrentar o frio até ao The Lowry Hotel, for my very posh Afternoon Tea. Era um dos cheks que faltava na minha to do list. Primeiro, estes senhores apostam no serviço. Fui tratada como uma princesa saudita, apesar de estar de jeans e mochila (podem obrigar-me a vestir-me como um adulto responsável durante a semana, mas não durante o fim de semana). Chá delicioso. Uma pratada de pequenas sanduiches variadas. E uma verdadeira montanha de scones e docinhos variados. Serviu para almoço, lanche e jantar. Frio desgraçado + barriguinha cheia = correr para o quentinho da casa e fazer uma sesta. Acabei por acordar às 21:30 com um convite para sair. Ainda tentei dizer que não, mas jogaram a cartada de "quase úlimo fim de semana". Depois de algum conflito interno, lá decidi ir. Com a condição de poder sair de jeans. Valeu a pena. Começamos a noite no bar do The Lowry (à tarde tinha parecido tão chique e cool que resolvemos experimentar). Outra vez, tratamento de realeza. Até os salgadinhos eram de qualidade superior. Em seguida, bar da moda. Cocktails interessantes. Muita carne exposta. Não pecebo como é que elas aguentam. Nem a alcoolémia explica. Nem no verão lisboeta está assim tanto calor. Por falar em verão, metade da pele exposta era cor de laranja. No outro dia ouvi uma descrição interessante do mulheiro mancuniano em modo noitada: terracota army in stilettos. Muito apropriado. Em seguida, um pezinho de dança. Sítio tão mau que até foi divertido. Deveras posh, mas com selecção musical hip-hop/poppy. E um verdadeiro mercado de carne. Mas ao menor as tentativas de engate foram educadas, e facilmente repelidas. Ainda deu para aguentar até às 2 e meia. Nada mau para um noite à inglesa.
Depois do tour, achei que já tinha cumprido com a minha cota de passeio por hoje. Mesmo com várias camadas de roupa, casacão, luvas, gorro e earmuffs, não consigo estar na rua. Não sei se este é o processo de aclimatação ao contrário, a preparar-me para o retorno à Tugalândia... De qualquer forma, acabou por ser um very lazy sunday, com direito a um bocadinho de estudo intercalado com filmes parvos de domingo. E chá quente. Muito chá quente.
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